Da garrafa não, obrigado!
August 9th, 2010Quantas vezes nos teremos questionado sobre a qualidade da água que nos chega engarrafada e sobre aquela que jorra das nossas torneiras?
Quantas vezes nos teremos questionado sobre quem controla a qualidade da primeira e a qualidade da segunda?
Quantas vezes nos teremos questionado sobre quem domina estes negócios das águas engarrafadas, por que estão lá metidos os principais gigantes
da indústria de refrigerantes e por que não tem havido notícias de falências no sector?
Poderia ficar aqui, indefinidamente, a fazer perguntas sobre esta história das águas, mas o melhor e talvez mais proveitoso é assistir-se a este pequeno filme. São só oito minutos que, apesar de reflectirem apenas um dos pontos de vista sobre a matéria, poderão ser determinantes para desbloquearem respostas a perguntas que talvez já tenhamos colocado a nós próprios. Ou se calhar, talvez não!
O Caso Farewell – Estreia hoje
August 6th, 2010O Caso Farewell começa em 1981, depois da invasão da União Soviética ao Afeganistão. As relações entre os Estados Unidos da América e a União Soviética estão no seu ponto mais frágil em mais de uma década. Um simples homem de negócios francês residente em Moscovo, Pierre Froment, estabelece uma ligação indesejada com Grigoriev, um destacado oficial do KGB desencantado com aquilo em que o ideal comunista se tornou às mãos de Brezhnev (antigo Presidente da União Soviética 64-82). Grigoriev começa por passar informação altamente confidencial acerca da rede de espiões soviéticos nos Estados Unidos.
Atormentado pelo medo de pôr a sua mulher e filhos em risco, e ao mesmo tempo pela vontade de saber mais, Forment, leva os documento até ao governo francês. Rapidamente a informação chega à Casa Branca e leva o regime soviético ao ponto de rotura, obrigando o KGB a intensificar os seus métodos na busca desta fuga de informação, colocando ambos os homens e as respectivas famílias num perigo extremo.
(Extracto do trailer)
Os Bárbaros – Um teste à memória
August 6th, 2010
Perguntaram-me há três dias se sabia onde estava no dia 8 de Janeiro de 1966.
A questão posta assim, sem prévio aviso ou qualquer rodeio que a fizesse anunciar, tanto poderia ser entendida como uma chocante perversidade face à desfaçatez do desafio, como – e acabaria por ser isso mesmo – uma doce consolação pelas gratas recordações que a resposta fazia agora emergir dos mais esconsos cantos do meu esquecimento.
Nesse dia de há já quarenta e quatro anos, o Hernâni Araújo na viola ritmo e nas teclas, o Artur Pinto na bateria, o Vladimiro Castilho na viola baixo, e eu próprio na viola solo, corporizando um projecto que nascera havia pouco mais de um ano e que se dava pelo nome de “os Bárbaros”, actuávamos pela segunda vez no Teatro Monumental, em Lisboa (onde foi tirada esta fotografia), num muito saudado evento intitulado Concurso Yé-Yé.
Servindo como um dos canais de angariação de fundos do Movimento Nacional Feminino, que o promovia, este concurso pôs em confronto, durante várias semanas e em várias eliminatórias, grupos rock de todo o país.
Para quem não sabe, o Movimento Nacional Feminino, do qual só durante a guerra colonial me vim a aperceber da verdadeira extensão dos objectivos que perseguia, era uma organização em perfeita sintonia com o Estado Novo e os seus dirigentes, funcionando como muleta da ditadura de Oliveira Salazar.
Criado por 25 mulheres todas elas ligadas às elites do sistema em 28 de Abril de 1961 (pouco depois da eclosão do conflito em Angola e por circunstância fortuita ou premeditadamente no dia de anos de Salazar), o MNF era uma associação em cuja actividade predominava o apoio moral aos soldados que participavam na guerra colonial.
No fundo, e esta é a minha opinião, compartilhada de resto por muito boa gente, nada mais era que um instrumento da imensa máquina de acção psicológica do regime, destinada a incutir nos militares em combate noções tão cientificamente inexactas como raça, historicamente tão desajustadas como império, ou, naquele contexto, moralmente tão ignóbeis como sentido do dever e imperativo patriótico.
Foi presidido, desde o começo até à sua extinção pela Junta de Salvação Nacional em 1974, por Cecíclia Supico Pinto, casada com Clotário Luís Supico Ribeiro Pinto, ministro das finanças de 44 a 47 e homem destacado da União Nacional.
A “Cilinha”, como era conhecida e tratada nos meandros militares, terreno por onde se movia como perca no rio Nilo, foi a figura de proa, ou a testa de ferro se se quiser, escolhida por quem urdiu a estratégia, por estar muito próxima do poder – era amiga e confidente de Salazar -, pelo seu verbo fácil, pelo seu voluntarismo, pelo seu incontornável gosto por viajar e por ter uma dose quanto bastasse de sede de aventura. O suficiente, pois, para concitar simpatias, para atrair sobre si todas as atenções, tal como hoje acontece com as actrizes de novelas.
Voltemos agora a “os Bárbaros”: tendo participado no concurso Yé-Yé por duas vezes – haveria de chegar às meias-finais do tal 8 de Janeiro de 66, nas quais se defrontaram com grupos fortes do rock português, como “os Sheiks”, onde pontificavam Paulo de Carvalho, Carlos Mendes e Fernando Tordo, “os Chinchilas”, “os Demónios Negros”, “os Diamantes Negros”, “os Tártaros” e “os Sombras” -, viria a registar, aos longo dos cinco anos da sua fugaz existência, várias alterações na sua composição.
Ainda anteriormente à primeira ida a Lisboa do grupo, Mário Rebola fora substituído por Vladimiro Castilho no baixo; depois disso, Artur Pinto deu lugar a Chico Correia na bateria e este, poucos meses depois, a Tó Veloso. Hernâni Araújo viria a ser o elemento seguinte a abandonar o conjunto para dar lugar a Victor Castilho. Esta troca provocou a primeira mudança estrutural no grupo: eliminava-se uma guitarra rítmica para se introduzir um instrumento de teclas, o órgão, correspondendo de certo modo a uma tendência que se vinha a acentuar na maior parte das bandas a nível internacional. Em Outubro de 69 seria a minha vez de deixar o conjunto, em viagem directa e compulsória para as fileiras do exército.
Seria injusto, entretanto, não registar a passagem pelo grupo de Nurmi Rocha como vocalista convidado. Ele permitiu, para além de nos privilegiar com o seu enorme talento de entertainer, trazer para o nosso lado uma camada de público que ainda não estava bem na nossa onda. Outros tempos.
“Os Bárbaros”, como tal, ainda viriam a durar mais uma ano após o meu abandono.
Têm sido algumas as vozes que se me têm manifestado para que o conjunto e todos aqueles que circulavam nos seus bastidores – e eram muitos e abnegados aqueles que o faziam – se reunissem de novo num convívio a que eu, sem qualquer menosprezo pela iniciativa, poderia chamar de revivalista, para que se revissem amigos de algumas décadas e se refrescassem memórias.
Tenho-me escusado a pensar nisso, por rejeitar liminarmente a saudade. Seria mexer com recordações dolorosas como a perda prematura de amigos muito queridos que, passados estes anos todos, ainda não consegui ultrapassar.
Créditos: Hernâni Araújo (foto)
Dia da Independência
August 5th, 2010
São conhecidos, no Ocidente, os constrangimentos colocados às mulheres no Afganistão em muitas áreas da sua vida, com particular relevância para os aspectos que se ligam com a educação.
A atenção que os meios de comunicação internacionais dão à guerra que lá se desenrola e àquilo que a circunscreve – e estão cada vez mais perdidos na nossa memória os abstrusos motivos com que os americanos a justificaram -, não nos permitem perceber que há muitas ilhas de paz neste flagelado país, onde as mulheres livremente se integram nas mais diversas actividades sociais.
É o caso do Daikundi, provavelmente a mais pobre, mais remota e mais deprimida das trinta e quatro províncias do Afeganistão, onde, comparativamente, as mulheres gozam de um ambiente livre e aberto, não existindo qualquer restrição para irem à escola ou que obste a que desenvolvam e participem noutras actividades educativas.
Na fotografia, uma bela imagem de Muzafar Ali, na qual se testemunha uma marcha de raparigas estudantes, precisamente na província de Daikundi, que comemora o dia da independência do Afganistão, desligado do Império Britânico desde 19 de Agosto de 1919.
Educação Sexual
July 27th, 2010Valores e princípios há que para serem mantidos ou alcançados, manda a nossa consciência que nos lancemos, seja esse o caso, na mais encarniçada luta ou que mantenhamos o nosso mais profundo empenho para que os atinjamos ou consolidemos.
Agora, confundir valores universais com interesse pessoal ou corporativo, direitos com intransigência, isso, em meu entender, tem mais a ver com falta de inteligência.
E é exactamente dessa ausência que este cartoon nos fala. De uma maneira deliciosa, mas ao mesmo tempo também dramática. Foi publicado no número de 17 de Abril da revista Time.

Lyle Lovett
July 24th, 2010
Há quase uma década que lhe ando no encalço. Não sei se foi uma canção do Al Green (Funny How Time Slips Away), que entusiasticamente recomendo, que me levou a bater-lhe à porta, o que é certo é que desde então, e sempre que posso, tenho pesquisado tudo sobre a sua carreira, como aliás de todos aqueles que, de forma mais directa, com ele têm colaborado ao longo de mais de três décadas. Refiro-me em particular ao pianista Matt Rollings e à cantora Francine Reed com a qual Lyle Lovett tem construído, para nosso delícia, duetos soberbos e inesquecíveis, ou, talvez de maneira mais arrebatadora ainda, como sua voz de suporte.
O site oficial de Lovett e o próprio YouTube são mananciais quase intermináveis das obras deste tão peculiar quanto talentoso cantor e compositor norte-americano, infelizmente quase desconhecido nos circuitos musicais portugueses.
O meu contributo para que isso possa ser minimamente colmatado aqui fica.
Um conselho a fechar: Não percam as canções do Al Green e de Francine Reed, bem como, evidentemente, a do próprio Lyle Lovett já em baixo.
Lyle Lovett – Biografia
Lyle Lovett foi um dos cantores e compositores norte-americanos mais carismáticos e originais a surgir na década de 80. Embora inicialmente rotulado como um cantor de música country, a etiqueta nunca se encaixou perfeitamente nele. Lovett tinha muito mais em comum com cantores dos anos 70 como por exemplo Guy Clark, Jesse Winchester, Randy Newman, Townes Van Zandt, conseguindo combinar, envolto num inusitado talento, mordacidade lírica com ecletismo musical, variando do country e folk ao swing big-band e pop tradicional.
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Adeus Lutécia
July 23rd, 2010
Que andam por aí em cima das nossas cabeças parece-me que já ninguém questiona. Que possam, contudo, cair em cima delas reduzindo-nos a esterco, é uma possibilidade à qual nem todos os crentes dão fé.
Mas que pode acontecer, lá isso pode, e se os astrofísicos não falam com mais insistência nessa quase inevitabilidade é porque, como pessoas sensatas que são, têm consciência da impotência humana perante uma eventualidade dessa magnitude e, o que seria bem mais incontrolável, o clima de pánico que a insistência em notícias desse género certamente não deixaria de gerar. Tal como aconteceu, aliás, em 1910, quando o cometa Halley passou próximo da Terra.
Tudo isto vem a propósito de uma belíssima imagem que me chegou numa newsletter que recebi hoje da NASA e cujo texto, da responsabilidade dessa agência espacial, apresento em baixo.
A caminho do seu encontro com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, programado para 2014, a nave da Agência Espacial Europeia Roseta, com instrumentos da NASA a bordo, passou pelo asteróide Lutécia, no sábado, 10 de Julho.
Os instrumentos a bordo da Roseta registaram a primeira imagem próxima – que se apresenta acima – de um dos maiores asteróides até agora abordados por uma nave espacial. Foram feitas medições para obter a massa do abjecto, compreender as propriedades da crosta da superfície do asteróide, o registo do vento solar na vizinhança, bem como procurar evidências de atmosfera na sua superfície.
A nave espacial passou pelo asteróide a uma distância mínima de 3.160 quilómetros, à velocidade de 15 km por segundo, completando uma volta completa em apenas um minuto. Pouco depois da maior aproximação, Roseta iniciou a transmissão de dados para a Terra a fim de serem processadas.
O asteróide Lutécia constituiu um mistério durante muitos anos. Telescópios do sistema de observação terrestre mostraram que apresenta características desconcertantes. Se nalguns aspectos se assemelha a um organismo primitivo, do chamado Tipo-C, daqueles que sobraram da formação do sistema solar, noutros parece assemelhar-se àqueles que são constituídos por ferro, do Tipo-M, de cor avermelhada a associados a fragmentos de corpos celestes de muito maior dimensão.
Garota de Ipanema
July 18th, 2010Em tempos difíceis como estes, de uma crise que, pelos vistos, tem prazo de validade mais dilatado que os pickles da Ferbar, a atitude, se não a mais inteligente, pelo menos aquela que menos riscos de cairmos num fenómeno depressivo de irreversibilidade garantida nos fará correr, é desligarmo-nos de tudo aquilo que tenha a ver com discussões sobre o estado da nação ou com revisões constitucionais talhadas à justa medida de um Cavaco Silva presidente e chefe do governo em simultâneo, e dedicarmo-nos à música.
E vai mais longe o meu conselho, como se poderá ver de seguida. Reparem:
Garota de Ipanema, melodia composta em 1962 por Tom Jobim e a que no ano seguinte se viria a juntar a letra escrita por Vinícius de Morais, é, ainda hoje, a música de Bossa Nova mais divulgada a nível planetário.
Para quem quiser aprender a tocá-la no violão, aqui fica uma das versões disponíveis no YouTube, aquela cuja tonalidade em que é interpretada me pareceu de execução mais acessível e talvez menos problemática.























