Uma questão de alturas
April 2nd, 2009
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Esta crónica, escrita em 2005, faz parte do conjunto de textos que, ao longo de quase três anos, vi publicado no extinto “Notícias da Amadora”, um jornal que apesar de ter desempenhado um relevante papel na luta contra a ditadura, viria a ser cilindrado pelo anacrónico jogo de interesses que a permeabilidade do nosso regime democrático deixou que se instalasse no país, com todo o rol de assimetrias e injustiças que nos colocaram no beco cuja saída só alguns conseguem vislumbrar. Os mesmos de sempre, para não variar.
Combinara com o Saraiva estar no café por volta das seis e meia, para a nossa habitual partida de xadrez das segundas-feiras.
Aquele meu amigo — e recordar-se-ão decerto, pois anteriormente eu disso já dera conta —, é do mais retrógrado e politicamente mais ultramontano que existe à face da Terra, suplantando por enormíssima margem de pontos o dr. Alberto João, aquele vendido à esquerda, como o Saraiva o acusa constantemente de ser.
Cheguei um bom quarto de hora mais cedo e comecei a preparar o tabuleiro colocando as pedras nos respectivos lugares. Mentalmente, fui ensaiando, assim a seco, daquelas jogadas que na prática nunca por nunca se fazem, mas que em teoria são sempre o que de mais brilhante a mente humana se vai encarregando de construir e que, instintivamente, nos leva a esconder, dos habituais frequentadores do café que nos circundam, o sorriso de puro gozo e inexcedível contentamento que esboçamos, por tamanha façanha que conseguíamos levar a cabo.
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