_____________________________________________________________________________________________________________________________

O louro

July 26th, 2009

louro2

— Um dia destes, ainda esganifo aquele gajo!
Quem assim vociferava, era o Zé Ramalho. Estávamos nós sentados na Valeta, os seis ou sete do costume, no passeio, ali junto ao ferrador, entretidos a conversar sobre os problemas desta vida, quando ouvimos:
— Golo! Goooooolo! É golo! Um grrrande goooooolo dos Limianos!
E quem havia de ser? O sacana do papagaio da mercearia do senhor Alípio, que era mesmo em frente. Daí, o Zé Ramalho, que não podia com os de Ponte de Lima, nem pintados, no que era assessorado por todos nós, ter dito num acesso de fúria que esganifava o marreco. E esganifar, convirá esclarecer as mentes menos abertas a este tipo de linguagem, tinha o mesmo significado que exterminar, esganar, estriquinar, abafar, apagar, aniquilar, em suma, limpar o sebo ao desgraçado. Que era mesmo um bardamerdas, o fedorento do papagaio.
E tudo isto, porque a dona Marcilinia, uma rica peça, mulher do Alípio merceeiro, era de Ponte de Lima. Para além de ensinar ao estupor do bicho aqueles palavrões que todos nós sabemos que os papagaios aprendem com a maior das facilidades, ainda por cima o transformou num ferrenho adepto, ao grandessíssimo estafermo, do Clube de Futebol «Os Limianos». Uma verdadeira afronta para quem sempre viveu ali, incluindo para o doutor juiz, que morava na rua do Lira, mas que, honra lhe seja feita e verdade seja dita, sempre mantivera uma certa equidistância em relação a grupos de futebol. Constava-se que era portista, o gajo.
Talvez por isso mesmo, por causa dessa independência, quando vinha comer a casa ao meio-dia, ou regressava do trabalho, ao fim da tarde, o papagaio, sectário como era, tratava-o do piorio. De cabrão para cima. O que, convenhamos, não dignificava em nada a magistratura.
Tornava-se claro, ciosos que éramos de uma certa tranquilidade na rua, que teríamos de tomar uma atitude. Era evidente também que chamar a polícia, sabia-se que não resultava. O pantomineiro do bicho, quando via uma farda a aproximar-se, começava a olhar para o céu e a cantar o «ao passar a ribeirinha pus o pé, molhei a meia, pus o pé…» e nada feito. Não existiam, portanto, provas factuais do envolvimento do caramelo com o abominável mundo da mais abjecta obscenidade, logo, nenhum tribunal — e sabe-se como os tribunais são rigorosos e até rápidos a decidir — o poderia condenar, por manifesta insuficiência de provas. Era uma chatice.

leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

As portagens

July 11th, 2009

pontilhao

Naquele tempo, estava a década de cinquenta quase a chegar ao fim, nada pior para um rapaz novo do que a falta de dinheiro. A incompreensão dos pais perante o habitual estrangulamento e até, como se diz agora, constrangimento financeiro dos filhos, chegava a ser desesperante. Pensavam eles que bastava dar de comer, vestir, calçar, comprar livros e cadernos e pronto! E o resto? Os pirolitos, o aluguer da bicicleta cada vez mais caro, o cinema e essa coisa nova dos gelados, a mais genial invenção depois do leite-creme, em tão boa hora introduzida nos nossos hábitos alimentares, tão exauridos que andavam de hidrocarbonetos e gorduras vegetais? Como é que era? Pagava-se com quê?
Discutíamos nós, preocupados, estas problemáticas junto ao rio, no paredão do matadouro da Valeta, os seis ou sete do costume, quando reparamos no Mário Fanfas, de olhar perdido, a fitar o pontilhão de Requeijo.
— Já tenho a solução! — disse ele levantando-se de repente e limpando o fundilho dos calções com as mãos. — Vamos cobrar portagens!
— Olha que filosofia comigo não, pá! — exclamou o Zé Ramalho, mirando-o de alto a baixo.
— É o que vos digo! Passamos a cobrar portagem aos gajos que vêm à vila.
Muito embora não soubéssemos exactamente no que é que constava, como era para dar dinheiro, teve logo a aprovação geral. E o Mário, que até já tinha ido a França de carro com os pais, ao santuário de Nossa Senhora de Lourdes, cumprir uma promessa pela irmã mais velha que estava cada vez mais gaga, sabia do que falava.
Dizia ele que os gajos que vinham da aldeia tinham de pagar para entrar na vila. Só faziam esterqueira, com aquela merda toda dos cavalos e das vacas e os da vila que limpassem. Que não estava certo! Ou limpavam eles a lixeirada toda que faziam, ou pagavam a entrada.
E é curioso como — e ainda um dia hei-de tirar esta história toda a limpo — muitas vezes me pergunto se não teria sido o Mário Fanfas, há cinquenta e tal anos atrás, a introduzir no nosso país o revolucionário conceito do poluidor-pagador. Vão ver que até nem é dispicienda, esta minha observação.
Ficou então assim decidido: a título experimental, a medida ia só ser posta em prática às quartas, nos dias de feira. Nas dos Arcos e da Barca, que era para não desabituar os gajos. À entrada do pontilhão de Requeijo colocávamos uma vara comprida assente em dois cavaletes. Ia haver três tipos de pagamentos: os peões pagavam dois tostões; os que vinham a cavalo, sete, e, aos carros de bois com carga, dez tostões. Os putos até dez anos, era à borla.
— E quem não quiser pagar? — perguntou o Berto Zeferino, o mais descrente quanto aos resultados da iniciativa.

leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

Lipinho, o fiscal

July 4th, 2009

menino_acordeao

O Assis, o meu assistente, sempre demonstrara uma apetência particular pela música. Além de tocar os sinos da Matriz como ninguém e um xilofone de plástico que o tio lhe trouxera do Canadá, decidira agora aprender a tocar acordeão. Mas sozinho, que isto de mestres era muito caro.
— Então, já sabes tocar alguma música completa? — Perguntei-lhe eu, numa altura em que tínhamos ido à feira dos porcos fazer já não sei o quê.
— «La Cumparsita» — respondeu, de peito inchado e com um largo sorriso de satisfação a atravessar-lhe a cara de lés-a-lés.
— Não acredito! — Exclamei, mais para ver a sua reacção do que propriamente a duvidar das suas capacidades. — Um tango e da Argentina, ainda por cima.
— E querias que o tango fosse donde? — Perguntou-me ele, sem contemplações pela minha redundância. — Mas porque é que perguntas?
— Por nada! Era só para saber.
Ao fim da tarde, estávamos nós na Valeta sem nada que fazer, a roçar os cotovelos pelas paredes da inconsistência, quando voltei a insistir:
— E consegues tocar isso em ritmo de fado?
— O quê?
— Essa história da «Cumparsita», ou lá o que é…
— Um tango?! Em ritmo de fado?! Deves estar mas é xoné!

leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

floresta

Muito longe vão os tempos em que à África, a toda a África, se chamava de Etiópia. Muito distantes também, as épocas dos grandes reinos da Guiné, Costa da Malagueta, do Benim ou Manicongo.

E é exactamente por essas alturas, nas idas eras de mil e quinhentos, aí na terra de muitos senhores e reis negros, maometanos ou idólatras, de florestas de densos e profundos bosques, de colossais árvores que parecia quererem quase rasgar os céus, do grande Niger, irmão poente do Nilo, de caudalosas águas e incontroláveis torrentes, de abomináveis e possantes crocodilos, de estranhos cavalos-marinhos, mareadas que fossem, para sueste, mais de oitenta léguas, e depois de passada a altíssima montanha conhecida pelo nome de serra Leoa, a uns quatro graus acima da linha equinocial, que acontece a nossa história.

Abudji Ndúlu morrera. Era costume antigo, tão antigo que se perdera nas memórias dos tempos por aqueles chãos do Benim, que, quando um rei morria, se devia juntar todo o seu povo num rossio largo e solitário, para prantear sua dor, numa estranha cerimónia onde, para além da entrega à terra do corpo do idolatrado soberano, se enterravam com ele, vivos, os amigos e criados de eleição. O que era visto com proclamada honraria e como circunstância de não menor distinção.

Quase um dia não chegou para, bem no meio do imenso descampado, se cavar um enorme poço, largo nas suas profundezas e com não mais que quatro pés no cimo da sua estreita garganta, por onde, primeiro, se introduziu o corpo do rei já defunto, e, de seguida, desejando todos essa fortuna, iam lenta mas voluntariamente descendo, por entre sáfaros rituais e cânticos amargurados, os seus mais caros e favoritos súbditos. Ndjunda Fatuá estava entre eles.
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

Ah Ivonete!

May 29th, 2009

boobies2a

< !img src="http://farm4.static.flickr.com/3605/3559229347_6ccfa1c95d_o.jpg" width="320" height="131" alt="ivonete" />

Há coisa de seis meses Berenice pisou pela primeira vez o solo português. Proveniente de Recife, veio num avião da TAP que aterrou na capital, eram quase sete e meia da manhã. A sua primeira sensação foi de frio. Passou, em oito horas de transatlântica viagem, de um verão de 40 graus, para um inverno chuvoso e agreste a que não estava habituada. Notava-se pelo vestido: vermelho, curto, justo. Adivinhava-se pelo indisfarçável tremor do corpo. Até pelos lábios que, apesar de pintados, deixavam perceber um friso roxo imposto pelo rigor da baixa temperatura.

Viera, como tantos e tantos outros, forçados pela mísera condição a que os votam, em busca daquilo que aqui nunca lhe poderemos dar, que o seu país tem de sobra e se esbanja, mas nunca foi deles: riqueza. Para trás ficara, talvez para sempre, Guarapari, a cidadezinha que a vira nascer, no Estado de Espírito Santo, a uns quase quinhentos quilómetros a norte do Rio de Janeiro.

Foi viver, como tantos e tantos outros, para Queluz Ocidental. Num quinto andar com três quartos, onde já moram onze compatriotas seus. Naquele que passará a ser o seu quarto, o seu novo mundo, Berenice é a quinta.

Teve a sorte que tantos e tantos outros não têm: quatro dias depois conseguiu emprego. Sem papeis, sem qualquer tipo de contrato e recebendo à hora, começou a trabalhar, enroupada num vistoso uniforme amarelo e com o entusiasmo próprio de quem sempre inicia alguma coisa, num restaurante de comida a quilo, no Centro Comercial Colombo, mesmo em frente ao estádio da Luz.
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

A entrevista

May 27th, 2009

eqmaravilhas12

Nunca cheguei a perceber o porquê de me encarregarem a mim de ir entrevistar o presidente Velinhas para o número especial do Notícias, que iria sair naquele 8 de Agosto, primeiro dia das Festas do Concelho.

— E que lhe pergunto? — interpelei eu o Mário, quando ele, como quem não quer a coisa, me veio com aquela de que seria uma boa ideia ser eu a entrevistar o sujeito.

«Tens carta branca», disse-me ele sem levantar os olhos, enquanto tentava — e a palavra é mesmo essa, tentava — encontrar não sei o quê naquela enorme secretária atafulhada com uma indescritível quantidade de papeis, máquina de escrever, dois telefones, pilhas de livros, esferográficas sem carga, uma caixa de lenços kleenex, boletins do totobola por preencher, um dicionário de latim a cair de podre, três rebuçados dos Arcos e uma sandes de fiambre já trincada.

Vão ver agora como não é fácil chegar à fala com um presidente da Câmara. Pelo menos para mim. Naquela altura parecia-me muito menos problemático pedir uma audiência a Gerald Ford que, como se sabe, tinha acabado de substituir Richard Nixon na presidência dos Estados Unidos da América no rescaldo do escândalo Watergate, do que conseguir a marcação de uma entrevista para o jornal da terra com o presidente Velinhas.

Com a data das festas a aproximar-se velozmente, por quatro vezes fui à Câmara numa tentativa de lhe expor o assunto. Por outras tantas esbarrei com a impertinência, o mau humor e a insensibilidade do Nélinho, o contínuo, que já farto de me ter à perna, me mandava, invariavelmente, arear os metais da fanfarra dos bombeiros.
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

A Boda

May 26th, 2009

eqmaravilhas11

O longo cortejo de automóveis deixara já o largo em frente à igreja da Misericórdia, atravessara a ponte e dirigia-se agora, ruidoso, para uma aprazível quinta, ali para os lados da recta de Bertiandos, onde iria ser servido o bufete.

Passavam vinte das duas. Casava-se Clarinda, 36 anos, com António de 27. Ela, filha de Joaquim Cardão, chefe da Repartição da Fazenda Pública em Ponte de Lima, cuja esposa, dona Lélinha, se dedicava a administrar as lides domésticas.

O mancebo António, quase com 28, a fazer em Novembro próximo, descendia de Cesaltino Lopes, o «Tininho de Loureda», conceituado construtor civil de prédios de apartamentos na zona nova da vila dos Arcos e, por força não se sabe de que circunstâncias, vereador do pelouro da cultura na Câmara Municipal do presidente Velinhas, casado com Aurélia Antunes e amancebado com uma tal Eulália Correia, a assistir também ao casamento, ex-cabeleireira, com casa posta quem vai para Vila Nova de Muia, e dona de um Renault Dauphine amarelo, descapotável, a marca e modelo de carro, naquela altura habituais, nestes casos de concubinato, numa clara demonstração de que os empreiteiros amantizados, para além da originalidade, lêem todos — aqueles que sabem juntar vogais e consoantes e dar-lhes algum sentido, por pouco que seja — pela mesma cartilha.
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

A Delegação

May 7th, 2009

eqmaravilhas9

E o grande dia chegou. A vila de Arcos de Valdevez ia finalmente receber, e assim desejava o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o seu colega da Administração Interna, com grande pompa e todas as honras devidas, uma delegação oficial do grande país irmão, da «pátria de todas as pátrias», aquela que vai, dada a sua dimensão, não-se-sabe-bem-donde até aos Urais, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde vivem, ao que consta, escondidos em grutas, esses malandros dos comunistas — mais de duzentos milhões — chefiados por um czar, cunhado dum tal Ilich Ulianov, o pior de todos, a mulher e cinco filhos, todos com aquelas bocarras cheias de dentes de ouro, e que só saem das tocas para comerem as criancinhas e viajarem pelo espaço, como o fizeram Gagarin, o comandante Che Guevara, os Rolling Stones e a cadelinha Laica, coitada. Pelo menos era o que pensava o presidente Velinhas e boa parte da vereação que chefiava. Sim, porque os que não compartilhavam dessas ideias — uma minoria, felizmente, — pensava muito pior.

Imaginem agora, numa terça de manhã, a Praça Municipal engalanada com festões e lampadários do tio Popla, apinhado de gente que se acotovelava, empunhando bandeirinhas vermelhas com a foice e o martelo, com as criancinhas das escolas de todas as freguesias, mais as do preparatório, do secundário e até da tele-escola, cantando a Internacional e dando vivas à URSS e ao PCUS; a banda de música arcuense nas suas fardas cinzentas, com faixas à tiracolo também vermelhas; um pelotão dos bombeiros voluntários, garbosos e alinhados, também com faixas vermelhas; a GNR e a polícia, idem aspas, aspas e mais aspas; os gigantones, os cabeçudos e os zés-pereiras, tudo, mas tudo sem excepção, numa roda-viva, num rodopio e excitação infernais, a receber aqueles queridos irmãos soviéticos. Se imaginado era bonito e dava um efeito de tal forma colorido que faria corar de inveja a comissão das Festas do Castelo, a realidade superava, de longe, tudo aquilo que a imaginação mais fértil pudesse fantasiar.

A longa limousine preta, com dois batedores da GNR à frente, chegou pontualmente às dez, parando mesmo em frente da porta principal do edifício da Câmara. Atrás dela, mais três ou quatro carros da mesma cor, onde se deslocava o resto da comitiva. À sua espera, o presidente Velinhas e, a seu lado, o assessor Benjamim. Ligeiramente atrás, toda a vereação, com excepção, como sempre nestas coisas oficiais, do Jota Santinhos.

O chefe do protocolo da delegação abriu a porta da limousine e, quando se esperava ver sair de lá um homenzarrão, alto, loiro de farda verde, boné de frente empinada, daqueles discos voadores como os que se vêem na televisão, coberto de medalhas e todo cheio de dourados, desceu do carro uma sujeito atarracado e barrigudo, militar é certo, mas atarracado e barrigudo — um autêntico supermercado de condecorações ao peito —, o general Sergei Govnituchenko, que, dirigindo-se de braços abertos para o presidente Velinhas, lhe disse:
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

E a acta?

May 6th, 2009

eqmaravilhas8

Certamente que se recordam da enorme confusão que houve na Câmara, por causa da delegação da União Soviética que queria visitar os Arcos, e da enorme contestação que a decisão, unilateralmente tomada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros em patrocinar essa visita, originou na quase totalidade da vereação da edilidade arcuense.
Mas como não há nada que não se resolva pela via do diálogo — harmonioso, construtivo, entre pessoas civilizadas —, recebeu o presidente Velinhas, na tarde da quinta-feira seguinte, um telefonema do Ministro da Administração Interna. O próprio e em pessoa, que começou por dizer:

— Mas afinal que merda é esta?! Disseram-me que vocês não querem receber a merda da delegação dos russos, contrariando as directivas do meu colega, o senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros?! E a que propósito? E com que direito? Afinal quem é que manda na porcaria deste país? Somos nós aqui em Lisboa, nos ministérios, ou são vocês, uns bardamerdas duns pacóvios, que nem sequer sabem preencher um boletim do totoloto? Ãh?!… Responda-me, se faz favor!

— Não sei o que lhe hei-de dizer, senhor ministro!

— Não sabe o que me há-de dizer?! Não sabe o que me há-de dizer?! Dou-lhe meia-hora, está a ouvir, meia-hora, para me mandar um telegrama a confirmar a visita e com todas as honras devidas a uma delegação estrangeira como aquela, daqueles marmelos dos comunistas. E nem que a vaca tussa e a rainha de Inglaterra fique preta. Quer seja um de cada vez ou os dois em conjunto, está a ouvir?!
leia
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails

A regra de ouro

May 4th, 2009

eqmaravilhas7

Na Câmara dos Arcos foi recebido um ofício, com a chancela do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em que era dado conta da visita a Portugal, sensivelmente daí a um mês, de uma delegação da União Soviética.

Deslocar-se-ia a diferentes pontos do país, de norte a sul, e manifestara o desejo de se inteirar, nas terras do minifúndio, de uma realidade que para eles, dada a vastidão do seu território, era totalmente desconhecida. Daí que o Ministério tenha seleccionado, para ser visitado por essa delegação, o concelho de Arcos de Valdevez que, como terra interior, com um bem sucedido cultivo intensivo, mas de exploração harmoniosa, da pequena propriedade, seria, no entender do próprio ministro, a escolha mais acertada.

— É que nem que a vaca tussa e a rainha de Inglaterra fique preta! Nunca! Nem mesmo por cima do meu cadáver! Comunistas, só às rodelas, como se faz ao chouriço! — exclamou o presidente Velinhas, depois do assessor Benjamim ter procedido à leitura do ofício, dando um pulo da cadeira e um valente murro na longa mesa, à volta da qual se sentavam todos os vereadores, na sua reunião semanal.
leia
talvez_granja
(more…)

partilhar
Related Posts with Thumbnails