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Mais uma…

May 31st, 2010

israelatack10a

Israel cometeu hoje um novo acto contra o mais elementar direito à sobrevivência – e é disso que se trata – do povo palestino da Faixa de Gaza.

Um comando de Telaviv atacou, ainda em águas internacionais, um navio turco que, integrado numa frota que tentava furar o bloqueio marítimo imposto à margem de toda e qualquer legislação internacional àquele território pelos israelitas, transportava um carregamento de bens alimentares, na tentativa de colmatar o estrangulamento de toda a espécie que martiriza as suas populações, nas quais se incluem, obviamente, crianças e idosos.

Durante esta acção militar, tão ao jeito das mentes abstrusas e canhestras dos governantes israelitas, foram abatidos pelo menos dez activistas da causa palestina, facto que provocou o mais vivo repúdio da generalidade do mundo árabe e também dos muçulmanos turcos que, durante este dia se têm manifestado um pouco por toda a Turquia, em particular nas ruas de Istambul, em enormes manifestações de desagravo por aquilo que consideram como sendo terrorismo de Estado, que poderão vir a ser o prenúncio de uma instabilidade em crescendo no Mediterrâneo Oriental.

O Holocausto, terrível e avassalador genocídio que se abateu sobre o povo judeu, cujas marcas ainda hoje, passados mais de 60 anos, estarão certamente bem vivas na memória colectiva deste povo também ele sofrido, não pode servir ad aeternum de pano de fundo, justificativo ou desculpa para a panóplia de malfeitorias que Israel, sempre com a presença tutelar dos Estados Unidos na sombra, tem vindo a praticar sobre os palestinos. Palestinos esses que, como diz uma amigo meu pouco calhado nestas coisas das políticas, poderão não ser nenhuns santos, mas não serão certamente também os diabos que quem governa Israel nos quer fazer crer que são.

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MicJackson2

Não tinha escrito ainda aqui nada sobre Michael Jackson. Não que a sua morte me fosse indiferente, nada disso, mas por que de súbito toda a gente desatou a acordar para a sua morte.

Não me reconheço no grupo talvez imenso dos seus indefectíveis apoiantes, nem me revejo na agora escassa fila dos seus detractores.

Limito-me a confessar que foi com o entusiasmo próprio de quem é maravilhado por uma coisa do outro mundo, que dei por mim a vibrar de forma pouco inusitada para o meu recato, quando há quase três décadas atrás “Thriller” entrou de sopetão por todos nós adentro, como um assombro que nos assarapanta, por ter tanto de inovador, por não sabermos se era meteorito ou tremor de terra, de que lado nos vinha, ou, na hipótese mais trivial, se fazia parte da ciência e da capacidade humanas aquilo que estava diante de nós.

Não arrisco entretanto dizer que pouco mais viria depois disso. Seria certamente redutor e até de provocatória injustiça. Mas para quem subiu tão alto logo nos primeiros vôos, manda a objectividade reconhecer que cedo começou desenhar o seu longo e doloroso declínio. Feito de grandes doses de excentricidades e escândalos de onde a criatividade andou quase sempre arredada.

Talvez se perceba melhor o que eu quero dizer ao ler este lúcido e bem documentado texto que Rafael Galvão escreve a propósito do cantor, publicado há cinco dias atrás no seu blogue e que agora apresento aqui. Como remate direi que tenho pena de não ter sido eu a escrevê-lo.
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Aí está um iPill

May 25th, 2009

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Baptizado de “Vitamin” – e adivinha-se porquê – este minúsculo leitor musical, concepção da companhia iXing, suporta quer ficheiros MP3 quer WMA, dispõe de equalizador e permite ligação a portas USB 2.0. O controlo das músicas é tão fácil como tomar um comprimido. Quer saltar uma música? Apenas precisa de rodar. Quer voltar atrás? Rode novamente. Com capacidade de reprodução e gravação de 30 canais FM, este iPill começará a ser produzido no final do corrente ano.

Tamanho do aparelho: 25,2 x 69 mm.

O designer é Sangnam Park.
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opera2

Terá um encenador, por mais importante que seja, por mais méritos que lhe sejam reconhecidos, uma tão ampla liberdade e uma tão irrestrita margem de manobra que lhe conceda o privilégio de interpretar a partitura e o libreto de uma qualquer ópera introduzindo neles modificações tais que levariam os seus autores, se a essas novas encenações pudessem assistir, a negar-lhes a paternidade?

O jornal “El Pais”, numa excelente reportagem de hoje, põe o dedo na ferida e dá o mote para uma longa discussão que ainda agora vai no adro.

Calixto Bieito converte a ópera de Friburgo numa lixeira para representar La vida breve, de Falla. A Ian Judge lembra-lhe mostrar um Tannhauser wagneriano orgástico no Teatro Real. Tilman Knabe salpica de sangue e violações massivas um Sansão e Dalila, de Massenet. Consequência: o coro da ópera de Colónia e o elenco, com a mezzo-soprano Dalia Schaechter à cabeça, recusam-se a actuar e, macissamente, metem baixa por doença.

Onde está o limite? Qual é a barreira definitiva para montar hoje em dia uma ópera? O respeito ao espírito das partituras e dos libretos ou o exibicionismo?
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Monumentos e colonialismo

May 16th, 2009

Boaventura2

    Mais uma vez Boaventura Sousa Santos, sociólogo, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, escreve no blogue Carta Maior. Desta vez a propósito das “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”, um concurso que tem vindo a suscitar incómodos e protestos, pois tem tanto a ver com a história de Portugal, país que está na origem dos monumentos e do concurso, como com a daqueles cujos povos sofreram com o sistema colonial português. Vejamos então o que Boaventura Sousa Santos tem a dizer a esse propósito.

A New 7 Wonders Portugal, SA está a lançar um concurso para eleger as “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”. Os resultados serão conhecidos no próximo dia 10 de junho. Estamos, pois, no mundo dos negócios e dos media, e os critérios por que se pauta este mundo têm pouco a ver com a busca da verdade ou da justiça. Têm antes a ver, neste caso, com os lucros que podem ser obtidos com a exploração da história, da obtenção de direitos de exploração do conceito “7 Maravilhas”, da publicidade, da promoção do turismo, etc.

Perante isto, pode estranhar-se o incómodo e o protesto que este concurso tem suscitado no espaço de língua oficial portuguesa, envolvendo sobretudo investigadores que se dedicam ao estudo do império colonial português ou ao estudo dos países independentes que emergiram do fim do império e educadores que, neste espaço, procuram passar às novas gerações uma visão complexa da história que, longe de ser passada, continua a afectar as suas sociedades e as suas vidas.

O incómodo e o protesto têm razões fortes e a principal é que este concurso implica não apenas a história de Portugal, mas também a história dos países que estiveram sujeitos ao colonialismo português, e fá-lo de modo a ocultar, precisamente, o colonialismo, ou seja, o contexto social e político em que esses monumentos foram erigidos e o uso que tiveram durante séculos. O olhar que é orientado para ver a beleza da arte e da arquitetura dos monumentos é igualmente orientado para não ver o sofrimento inenarrável dos milhões de africanos que, entre o século XV e o século XIX, sacrificaram a vida para que muitos desses monumentos tivessem vida, quer os monumentos onde foram comprados como “propriedade móvel”, quer os monumentos que foram construir no outro lado do Atlântico.

Portugal foi um participante activo no tráfico de escravos, a maior deportação da história da humanidade, que só na África Ocidental envolveu entre 15 e 18 milhões de escravos. Se tivermos em mente que, por cada escravo que chegou à América, cinco morreram nos processos de captura, no transporte do interior para os armazéns (alguns deles, os monumentos de hoje), durante o cativeiro à espera de transporte ou na viagem, estamos a falar de 90 milhões de pessoas. E não esqueçamos que a esperança média de vida dos que chegavam à América era apenas de mais cinco ou seis anos.

Os monumentos devem ser respeitados e recuperados para nos devolverem a história, não para ocultá-la de nós. É por essa razão que ninguém imagina que se promova a visita a Auschwitz apenas para conhecer a arquitectura carcerária modernista da Alemanha. É, por isso, perturbador que o comissário do concurso diga que “esta visita ao património de origem portuguesa no mundo é feita com um sentimento de orgulho e de satisfação pelo legado histórico do nosso passado”, e acrescente que “os fluxos de pessoas e de informação à escala global aproximam-nos de todos enquanto partes constituintes de uma mesma humanidade”. Teremos de concluir daqui que, porque o tráfico de escravos foi um desses fluxos, os monumentos são um monumento ao colonialismo português?

Todos nós que trabalhamos no espaço de língua portuguesa fazêmo-lo com a convicção de que Portugal é um país de futuro e que esse futuro passa pelas relações fraternas que soubermos criar com os países que estiveram sujeitos ao colonialismo português. Mas para que isso ocorra é necessário assumir a história em toda a sua complexidade e não retirar dela apenas o que nos convém. É com base neste pressuposto que estamos construindo uma vibrante comunidade científica e educativa no espaço de língua oficial portuguesa. O património em causa é tanto de origem portuguesa como é de origem angolana, moçambicana, guineense caboverdiana, indiana ou brasileira. Por um critério mínimo de justiça histórica, as instituições que patrocinam este concurso devem exigir à empresa total transparência de contas e que os lucros sejam integralmente destinados à recuperação dos monumentos.

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Livro sobre Achebe

May 15th, 2009

livro_chinua

Inocência Mata, Don Burness e Vicky Hartnack são os autores de um livro sobre Chinua Achebe, o escritor nigeriano de Ogidi, autor do celebrado romance “Things Fall Apart” (Quando tudo se desmorona), considerado por muita gente como um dos melhores romances de sempre.

Foi escolhido o dia 25 de Maio, dia de África, e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – 16 horas, anfiteatro IV – para o lançamento deste livro, cujo título é “When Things Came Togheter” e que terá Domingos Simões Pereira, Secretário Executivo da CPLP e Manuela Ribeiro Sanches, professora da Faculdade de Letras, como elementos encarregados da sua apresentação.

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Panasonic/Lumix GH1

May 12th, 2009

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Design de inovação

O comentário final da TIPA – associação independente de jornalistas especializados em fotografia que representam 12 países europeus – garantia que “as máquinas fotográficas Lumix G1 da Panasonic, são as primeiras baseadas no sistema Micro Quatro Terços, caracterizando-se por serem as máquinas de objectivas intermutáveis mais leves e pequenas do mundo”. E por isso mesmo foram as Lumix da série G1 as galardoadas com o prémio europeu da TIPA para o Melhor Design de Inovação Europeu de 2009, distinguindo um produto que abre portas à diversão, à beleza e a inúmeras possibilidades criativas. Há todo um mundo novo por descobrir.

In NS-Notícias Sábado 174


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MapadaExURSS

Num mundo cada vez mais enredado por gigantescas teias de ligações físicas e virtuais, que fazem com que os confins se tivessem já acabado e o agora seja muito mais depressa passado, se perceber-se o que se passa dentro das nossas fronteiras faz parte do processo de permanente formação e crescimento do indivíduo como peça de uma engrenagem cada vez mais complexa, entender-se o que se passa lá fora, naqueles sítios que nós, desavisadamente, consideramos que aquilo que lá acontece nada tem a ver connosco, vai sendo cada vez mais crucial para que não se percam as pontas do fio desta imensa meada que une essas nossas novas razões de ser(mos).

Basta atentar na crise do crédito hipotecário de alto risco que estalou nos Estados Unidos há dois anos atrás e de pronto, mais rápido até que surto epidémico, se espalhou pelos quatro contos do planeta, lançando-nos, a nós aqui, como aos turcos da Anatólia ou aos argentinos da Patagónia, na mais colossal e deprimente crise financeira e social de que há memória, para facilmente nos apercebermos que é também com o mal dos outros que a partir daí se passou a construir o nosso dia-a-dia.

“Para onde vai o Leste europeu” é um texto lúcido e de indiscutível actualidade, escrito por Flávio Aguiar, professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP), e publicado no blogue Carta Maior de há dois dias atrás. É no novo alinhamento desse Leste da Europa, que o artigo refere, dantes integrado na vasta potência que foi a União Soviética, que se determinará muito do nosso futuro. Deste continente como espaço económico e político, deste agregado plural de nações que ainda somos.
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Com os meus impostos, não!

April 4th, 2009

protestos

    Um pouco por todo o mundo crescem os protestos populares pelos vencimentos milionários dos executivos das empresas com ajudas públicas.

Fonte: El País

Desde que rebentou a crise financeira em Agosto de 2007, os países desenvolvidos, com os Estados Unidos e a União Europeia à cabeça, tiveram que injectar cerca de cinco mil milhões de euros de dinheiros públicos (toda a riqueza que um país como a Espanha cria em cinco anos) para evitar a falência de bancos, seguradoras e fábricas. Em muitos casos, os gestores das empresas intervencionadas continuam a receber vencimentos e indemnizações milionárias que tem originado a ira popular, ameaças de morte, protestos e vandalismo.

Os manifestantes não clamam pelo regresso dum sistema comunista nem por um regime utópico. Querem simplesmente que se regresse à essência do capitalismo: mérito e recompensa. E que os novos senhores feudais de Wall Street ou da City, os distritos financeiros de Nova Iorque e Londres, parem de sugar o contribuinte com a desculpa de que há que salvar o sistema custe o que custar. O lema desses manifestantes não é Morte ao Capitalismo mas Não com os meus impostos.

Alguns governos, como o dos Estados Unidos, o alemão ou o francês não tiveram outro remédio que não fosse fazer leis a toda a pressa para limitar ou eliminar esse tipo de remunerações. Mas esses mesmos governos enfrentam-se com o dilema de, pese embora o desastre causado, precisarem de bons gestores que procedam ao saneamento das empresas intervencionadas e que as tornem rendíveis para que, na medida do possível, o dinheiro dos contribuintes lhes seja devolvido. Mas será que poderão recrutá-los com vencimentos e condições espartanas?

Um autocarro turístico percorre a chamada Costa Dourada de Fairfield, um bairro de luxo do qual a classe média foi expulsa quando, há tempos atrás, os executivos de Wall Street começaram a mudar-se para este condado de Connecticut. O autocarro faz diversas paragens em frente a verdadeiras mansões. Os passageiros descem e depositam panfletos às portas, nos quais se pode ler: “Devolvam o dinheiro dos contribuintes”. Trata-se das casas dos exececutivos da seguradora AIG, como Douglas Poling ou James Hass, que acabam de receber prémios no valor de 165 milhões de dólares, muito embora aquela que é a maior seguradora do mundo se tenha livrado de colossais prejuízos graças à injecção de 180.000 milhões de dólares feita pelo governo. “Só queremos pressionar para que façam aquilo que têm de fazer”, diz Mark Dziubek, um operário metalúrgico com cinco filhos, que acaba de perder o seu emprego.
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Este é o início de um esclarecedor artigo do “El País” que acabei de traduzir do espanhol, no qual é abordado o problema das remunerações milionárias aos gestores das empresas, prática recorrente em todo o mundo, que tem gerado fortes protestos de quem está na base da pirâmide social, principalmente daqueles que se viram, de um momento para o outro, sem emprego e sem possibilidade de assegurar a sua sobrevivência. Ele pode ser lido aqui, na sua totalidade.

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Gases

December 27th, 2008

Depois da inesperada notícia da morte do doutor Piteira, o especialista de Coimbra onde o doutor Duarte mandou o meu pai levar-me como derradeira hipótese para suprir as suas insuficiências e eventualmente os meus problemas de excitação exacerbada, restava-nos decidir se eu iria ser observado pela substituta do falecido — a canastrona que só não me mandou para os anjinhos com uma valentíssima lambada porque o meu pai lhe aparou a tempo o golpe —, ou, em alternativa, íamos de mãos a abanar para os Arcos.

Pela minha parte já me tinha decidido. E o meu raciocínio não podia ser mais linear: com o cabedal da sujeita e o meu feitio, um novo encontro entre os dois seria irremediavelmente fatal para a minha saúde.

Valendo-se dos seus melhores argumentos e depois de muito suar, o meu pai lá me conseguiu convencer a ir à consulta da tal doutora Leonilde. Naquele seu tom de voz que deixava sempre transparecer serenidade e placidez, com um toque até de alguma bonomia, foi-me dizendo que a médica, apesar daquela gordura toda e de parecer realmente uma anaconda — nessa altura deu-me um toque com o cotovelo no ombro e notei que se abriu num sorriso conivente —, não devia ser má senhora pois, coitada, o problema dela até poderia muito bem ser que fossem gases.

— Gases?! — estranhei eu, mostrando-me assim a modos que céptico. — Não acredito!

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talvez2

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