Cavaco Silva e a SLN
June 7th, 2009
Nunca duvidei da honestidade do presidente Cavaco Silva. O facto de considerá-lo um homem de direita, limitado na sua visão do mundo, de marcante insensibilidade às questões sociais como aquela que caracterizou a sua passagem pelo governo, de ser, pelo que mostra, um homem sem grandes preocupações culturais e que parece nem sequer se preocupar com isso – consulte-se a página da presidência de República, leiam-se os seus discursos e perceber-se-á facilmente daquilo de que falo – não são razões suficientes para deixar de crer na sua honestidade.
A questão levantada a semana passada pelo “Expresso”, dando conta das acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN) que Cavaco Silva comprara em 2001, são em meu entender – e nisso partilho da opinião de alguns partidos políticos que se manifestaram a esse propósito – questões que só a Cavaco Silva dizem respeito.
O investimento, para quem não sabe, resume-se de forma sintética e breve: no ano 2001 o cidadão Anibal Cavaco Silva pretendendo investir parte das suas economias, resolveu comprar 105 mil acções da SLN ao preço de 1 euro por acção. Passados 2 anos, em 2003, comunicou por carta ao presidente do conselho de administração daquela empresa a sua pretensão em desfazer-se das acções, operação que se viria a concretizar ao preço de 2,4 euros por acções, resultando daqui uma mais-valia de 147 mil euros para Cavaco Silva.
Tudo dentro da mais cristalina normalidade, neste vai-e-vem accionista em que, diariamente, milhões e milhões de títulos mudam de mãos, provocando lucros incomensuráveis a uns e, necessariamente, o desepero de muito boa gente que perde.
Só que, nesta transacção do professor, há um porém que seria do mais elementar bom-senso esclarecer. Para nosso sossego e do próprio professor. E é o seguinte:
A SLN não estava, como nunca esteve, cotada em Bolsa. As suas acções não estavam pois subordinadas aos mecanismos de controlo por parte da CMVM, como estão as empresas cotadas. O valor das suas acções em 2001 era um valor fixado pela própria empresa, baseada não se sabe em que critérios.
Para empresas cotadas em Bolsa, o valor das suas acções é baseado na lei da oferta e da procura mas tendo como parâmetro orientador o Price/Earnings Ratio (P/E ou PER) que é um indicador utilizado para analizar o valor duma acção e representa a relação entre o seu preço e os lucros da empresa. É pois um mecanismo de controlo de que a Bolsa de Valores se rodeia para travar, nomeadamente, operações de pura especulação ou até mesmo ilegais.
A questão que poderei colocar agora é a de saber se o valor de 2,4 euros por que Cavaco Silva vendeu as suas acções em 2003, representava o seu valor real, reflectindo por conseguinte o tal PER e consequentemente os resultados dos exercícios da SLN dos anos precedentes, ou se, pelo contrário, esse valor englobava outros factores valorativos de que só Cavaco Silva teria sido beneficiário.
Anibal Cavaco Silva é economista, sabe certamente responder à questão.
Anibal Cavaco Silva é Presidente da República, tem todo interesse em ver a questão respondida.
























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